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Estamos trabalhando para lançar em 2018 o livro Mbaé Kaá do botânico Barbosa Rodrigues (1842-1909). A obra  foi editado pela primeira vez em 1905 e em 1987 ganhou edição fac-símile com apoio do Ibama. Através de uma abordagem rara até hoje, a de um cientista que reconhece as limitações do próprio sistema, Barbosa disserta de forma visionária sobre a nomenclatura botânica dos povos nativos. Enquanto a taxonomia científica atribui nomes algumas vezes aleatórios às espécies, os indígenas as nomeiam de acordo com observações profundas, transmitidas e perpetuadas pela memória. Essas denominações trazem em si características, atributos e indicações de uso. Estão associadas a sistemas de conhecimento integrados com seu meio ambiente e vida em comunidade. Barbosa estudou a língua “nheengatu”, conhecida por Tupy ou Karany, que se estendia de norte a sul do Brasil, e no livro apresenta através de análises linguísticas uma série de exemplos de nomes de plantas que não só comprovam suas observações como oferecem a oportunidade de vislumbramos a maravilhosa e riquíssima sabedoria e interação com a natureza dos povos indígenas.
E POR QUE REEDITAR O TEXTO DE BARBOSA HOJE?
Além de ser um texto que abre caminho para reconhecimento dos pajés como cientistas da natureza e para a valorização do conhecimento tradicional, o livro apresenta saberes e práticas indígenas que ensinam sobre uma relação mais sustentável com os recursos naturais.
Projetos como Una Isi Kayawa, Livro da Cura do povo Huni Kuin (Dantes e JBRJ, 2014), A queda do céu de Davi Kopenawa e Bruce Albert (Cia das Letras, 2016) e publicações do ISA – Instituto Sócio Ambiental, entre outros, revelam a crescente necessidade do nosso tempo de que se ampliem as perspectivas culturais, integrando vozes ancestrais que podem colaborar para a vida melhor no presente e no futuro.