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PROJETO VANDELLI

O gabinete de curiosidades de Domenico Vandelli surgiu em 1999 quando publicamos o livro do Hans Staden. Fomos procurados pelo professor Oswaldo Munteal Filho para publicarmos um texto de Domenico Vandelli que está na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, um manuscrito que veio para o Brasil na bagagem da biblioteca real de d. João VI. É um texto belíssimo sobre inteligência na natureza que despertou nossa curiosidade sobre o contexto da época em que foi gerado.
O gabinete de curiosidades de Domenico Vandelli foi criado para mostrar a constelação formada por Domenico Vandelli, cientistas europeus, jovens correspondentes nas colônias, viajantes filosóficos, plantas, indígenas, políticos, rei, rainha e navegantes, que exerceram atividades em torno do conhecimento do reino natural. É um projeto iluminista, mas é um projeto iluminista que se depara com outras formas de conhecimento nas colônias.
Foram criados 10 livros além de cartazes e posteriormente grandes exposições.
Por seu um projeto que se dedica a outro período todos os livros tem Bibliografias de todos nomes citados e um ABC (glossário) para apresentar o significado de palavras e conceitos a partir de dicionários da época como o Moraes e Silva e o de Rafael Bluteau. Concebemos e mergulhamos nesse projeto por quase 10 anos, e o grande apoio da FINEP e depois do BNP Paribas. Como pesquisas transitam no mistério, ao final descobrimos que o texto que despertou o projeto não é de autoria do Vandelli, apesar de assim estar registrado na Biblioteca Nacional, e sim a tradução da introdução do Nouveau dictionnaire d’histoire naturelle do francês Julien Joseph Virey. 
Domenico, ou Domingos, Vandelli, conheceu o Brasil do século XVIII sem nunca ter pisado em seu território. Foi o um dos principais estudiosos da história natural em Portugal na época em que o Brasil era um dos focos da curiosidade. Criou e dirigiu os jardins botânicos de Lisboa e Coimbra, foi lente de Filosofia Natural na Universidade de Coimbra e um dos fundadores da Academia das Ciências de Lisboa. Para o Brasil ele prestou um serviço inestimável ao articular as viagens filosóficas, legando-nos um dos maiores tesouros do período colonial: a memória sobre a diversidade brasileira e a preocupação com a finitude dos recursos naturais.