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“O saci, na floresta amazônica, é uma mulher, pois seu nome tupi (saci-taperê) significa “mãe das almas”, atuando como espírito dos caminhos. Contudo, essa entidade fantástica é também inclassificável e se metamorfoseia num pássaro, o qual geralmente não se vê, mas tem um único pé. Finalmente, identificado como curupira, se torna o protetor da caça e da floresta, e pode ser descrito simultaneamente como senhor, mãe e gênio com os pés voltados para trás, para enganar quem lhe observa as pegadas. Embora em algumas regiões do país seja conhecido como Caapora, no Rio de Janeiro passou a ser um molequinho coxo, ferido nos joelhos. São tantos os sacis gerados pela mãe das almas que se pode concluir que mitos indígenas diferentes se confundiram sob um mesmo ente genérico, conhecido atualmente de todos os brasileiros: o menino negro de uma perna só.
Quem conta esse enredo intrincado e saboroso, à medida que vai analisando a decadência do nheengatu falado em boa parte do território brasileiro até meados do século 18, é João Barbosa Rodrigues (1842-1909), autor de Poranduba Amazonense, obra bilíngue fundamental da literatura indígena publicada originalmente em 1908 e que foi reeditada recentemente com grafia atualizada, organizada por Tenório Telles para a editora Valer de Manaus.”
Sérgio Medeiros Estadão em 21 de julho de 2018
Para quem, como nós, respeita Saci,  segue uma super dica.
Já aqui na Dantes estamos trabalhando em um outro livro do Barbosa Rodrigues, que será lancado em novembro de 2018. O título é Mbaé Kaá e fala sobre a sabedoria Tupi e Guarani em sua nomenclatura das plantas.