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A sorte de ter começado a vida livrística em um sebo foi conhecer pessoas mais velhas. Um dia um senhor me disse que seu pai tinha sido contemporâneo de Lima Barreto. Ele me contou que o Lima era uma pessoa desagradável de se encontrar. Mãos pegajosas, terno surrado e mal cheiroso, um tanto alcoolizado. Quando morreu só o povo da rua foi ao enterro. Então, agora ele estará na Flip, de paletó novo e cheiroso. Os visionários nem sempre são os bem quistos do seu tempo. Ele nunca foi clássico. Penso no artista Marinho e em toda instabilidade que provoca a cada encontro. Também nos pronunciamentos públicos que o Waly rasgava.

Nesse tempo que o Marcelo Yuka chama da vitória dos nerds, Lima Barreto seria convidado para Flip? Tem um filme sobre o Vinicius de Moraes, que o Chico Buarque fala que o Vinicius foi um cara capaz de mudar tudo em vida, começar a usar bata na Bahia e compor outro tipo de canção. Quem seria o Vinicius, se pergunta Chico Buarque, na atual era da política dos resultados?
A gira da terra nos dá essas surpresas maravilhosas. Gira gira e lá estamos onde o “desajustado” de ontem já sabia. Celebremos nossa chegada à mente de um visionário.
Que o pátio do Pinel seja acolhido e todos os que alcançam dimensões além de seu tempo.
Que a nitidez diante da caricatura dos políticos corruptos seja acolhida.
Que os que moram sob viadutos na avenida Brasil sejam acolhidos.
E os que perdem sua moradia para as obras de embelezamento da cidade.
Não pensar no resultado é o que desejo a Flip.
Boa sorte, Joselia Aguiar!